Já faz algum tempo que estou com um probleminha… Não tenho um cartão de visita. Nesses últimos meses tenho abusado do networking e sempre solto um:
“Vou ficar devendo meu cartão!
“
Você deve estar se perguntando por que eu ainda não tomei vergonha nada cara e fiz meu cartão. E a resposta é simples: Eu não sei o que colocar no meu cartão.
“Nome, telefone, e-mail…” Não! Não é disso que estou falando. É que, simplesmente, eu não tenho profissão. “Mas é só colocar o que você faz…” Esse é meu medo. Hoje trabalho numa diretoria de planejamento/ativação, pensando em campanhas, estratégias e oportunidades. E meu principal foco são mídias sociais.
Hoje sou um consultor de mídias sociais. Mas que grande merda.
Não quero ser radical. A Web Social é um mercado que está sendo estruturado na base da tentativa (pelo menos já passamos da fase do faz um viralzinho, eu acho), e tudo ainda é muito novo. Então por que é uma merda ser consultor de mídias sociais? Simples assim: Todos os dias alguém, poucos anos mais velho do que eu, vende-se como consultor.
Para mim, consultor = especialista, e eu não me sinto no direito de usar uma bandeira de especialista porque “estava lá fuçando e aprendi algo”. Afinal, não há barreira nenhuma para se vender como um especialista. Só há uma coisa que diferencia quem é um especialista de quem é muleque: o trabalho.
O especialista é aquele conhece, entende, planeja, explica e executa. Seja sincero: Se você não tem uma dessas características tira essa farda preta que você é muleque.
É importante tomar consciência de que somos todos muleques. Não sei se você tem a humildade de assumir que não é especialista em nada e que está aprendendo com suas experiências anteriores. Faço isso o tempo inteiro e não me arrependo nem um pouco. Primeiro, porque é verdade, e segundo, porque aprendo muito mais dessa forma.
Eu não sou o maior fã do Brainstorm#9, mas esse episódio do BrancastTV traduz bem o ponto onde eu quero chegar. Qual é a barreira de entrada no mercado das Mídias Sociais? Não estamos sendo muito arrogantes e prepotentes? Não quero entrar no mérito da publicidade de interupção, mas o que mais me chamou a atenção foi o comentário do Renê de Paula sobre o mercado circular. “Se nós nos fecharmos no nosso mundo, vamos emburrecer.”
Coincidentemente, essa semana assisti a apresentação do jornalista norte-americano James Surowiecki, no TED. A palestra tem como tema “O momento em que as mídias sociais viram as notícias”. No final Surowiecki cita o comportamento das formigas. Quando estão perdidas, as formigas tem uma regra muito simples: siga a formiga da frente.
Por enquanto prefiro ficar sem cartão de visitas. Não quero ser mais uma formiga. E você?
2:56 em 30 de maio de 2009
Eu também não. Ponto.
12:09 em 30 de maio de 2009
Nesse caso é melhor ficar sem o cartão de visitas. Mesmo.
13:03 em 30 de maio de 2009
seu muleque… pede pra sair
Belo texto meu nobre, a coisa é por ae mesmo
19:04 em 30 de maio de 2009
Sua maturidade me assombra.
19:30 em 2 de junho de 2009
Eu acredito que o que acontece com as mídias sociais é o que transparece em todo mercado emergente, aparecem uma série de gurus…
Mas só o tempo mostra que são os que vão ficar e realmente sabem do que estão falando…
Muito bom o seu blog! Sensato e maduro!
bjos
23:13 em 9 de junho de 2009
Pra quê o título?
Infelizmente estamos passando por um momento somente comparável a revolução industrial! Os meios de produção deixaram de ser diferencial, a informação não é mais fator de ascenção e a distribuição hoje é “gratuita”?!?!
A verdade é que o único título que você ostenta é o seu! Se você é consultor… você vai dar suporte a alguém! Você faz isso? Você não é planejamento na AG2? Aliás vaga cobiçada por mim! rs…
Coloca ai planner! Truqueiro de plantão… Qualquer coisa que retrate aquilo que você é!
Chega dos títulos Dr. Msc. MBA. Graças a Deus começo a ver que a era do “cantar de galo” está em seu fim! Daqui pra frente vale aquilo que você é…
Abraço,
Rodrigo Martinez.
@rodrigomartinez
eu@rodrigomartinez.com.br
23:50 em 11 de junho de 2009
brunão…
que coisa hein… te ver aqui, falando isso tudo e ainda consegue erguer um galão de 20 litros e colocar no bebedouro sem respingos…
querido amigo, você está mais que certo e o rodigo martinez disse tudo… pra que título???
se lembra do meu cartão??? sim, continuo com ele, simplesmente um email e um celular, sem título, sem até mesmo um nome, pois se não forem capazes de deduzir que meu nome é o mesmo do email sem arroba, prefiro que não me procurem…
é, não acho que seja um “muleque” só porque não é um especialista… qualquer pessoa que se ache algo, vira aquilo que acha, pena que só os que “entregam” o que prometem continuam sendo aquilo que diziam que eram quando se apresentaram com seus cartões de visitas “corporativos” que [normalmente em bold] ostentam um título qualquer…
esqueça tudo isso, seja só você, defina tudo a partir do teu caráter e a tua ética, e o resto vem a reboque…
seja o que quiser ser, mas seja verdadeiro, mesmo que isso não te traga elogios ou citações em círculos de “especialistas”…
mesmo se os que acharam que você era algo te “unfolleiem”, foda-se, ninguém é ninguém mesmo, deixe o resto pra lá e faça o que te dá tesão…
abrax://ET
16:16 em 28 de julho de 2009
Brilhante post. Parabéns. Nessa lama da bolha 2.0 são poucos os que conseguem admitir que não são especialistas em nada. Muito bom! Ganhou um leitor!
1:23 em 16 de novembro de 2009
Estou na mesma dúvida. Meu problema é que faço tanta coisa diferente que acho meio ridículo dizer que sou só uma coisa. Na dúvida, fico sem cartão.
1:51 em 3 de fevereiro de 2010
Texto pertinente.
Cara, como ter título de alguma coisa que nem a maioria da indústria sabe descrever e/ou?
E como eu, com 20 e poucos anos de idade, trabalhando com comunicacão/planejamento digital, (muito mais por ter sito “rato da internet” do que por ter se preocupado na adolescência em cultivar algum conhecimento do tipo para conseguir emprego no futuro) posso abandonar a minha principal característica – que é ser mutável, assim como um refresh ou atualização na timeline?
Prefiro ficar sem descrição.
abraços
9:51 em 13 de fevereiro de 2010
Cara… não precisa ir tão longe assim, é muito chifre pra pouca cabeça de cavalo.
Relaxa.
Pensa no cartão de visitas como uma tag ou um link no mundo real pra um cara/mina que tu conhece por aí entrar em contato depois, no big deal, serião.
Tipo assim.
Imagina q tu conhece alguém, pode ser num TED ou no mercado, troca ideia e tal e quer manter o contato, claro que voce pode anotar num guardanapo, mas ter um cartãozinho significa q vc se preocupou minimamente com a coisa e facilita o processo.
As vezes fica a vibe paraíbataquiomeucartao mas acontece. Outra alternativa é bolar um jeito da pessoa levar seu contato sem ser necessária emnte o modelo cartão, tenho uma ideia mas ainda nao botei em prática, passo pra tu com CC na boa, haha
Sei lá, é isso, ou não também…